Com o avanço da inteligência artificial, da computação em nuvem e da digitalização dos serviços, os data centers passaram a ocupar mais espaço nas discussões sobre energia, sustentabilidade, desenvolvimento econômico e competitividade.
Essa atenção é necessária. Estamos falando de uma infraestrutura crítica que demanda investimentos, energia, conectividade e engenharia especializada. Seus impactos precisam ser analisados com transparência e planejamento.
O problema surge quando instalações, tecnologias e mercados muito diferentes são tratados como se fossem iguais.
Para a Tecto, esse debate também passa por uma questão estratégica: qual infraestrutura será necessária para sustentar a expansão da inteligência artificial na América Latina e qual papel o Brasil pode ocupar nessa nova economia?
A seguir, analisamos três mitos que simplificam excessivamente o papel dos data centers e ajudam a entender por que essa infraestrutura precisa ser discutida de forma mais ampla.
Mito 1: todo data center consome muita água
A água pode ser utilizada nos sistemas de refrigeração de um data center, mas isso não significa que todas as instalações apresentem o mesmo perfil de consumo hídrico.
O resultado depende de fatores como a tecnologia de refrigeração, as condições climáticas, a configuração do empreendimento e o uso de sistemas abertos ou fechados.
Em circuitos abertos, parte da água utilizada para remover o calor pode evaporar. Nos circuitos fechados, ela circula continuamente dentro do sistema, exigindo principalmente uma carga inicial e reposições limitadas.
Segundo estudo da Brasscom, aproximadamente 80% do parque brasileiro atual já utiliza circuitos fechados. A estimativa é que essa participação alcance cerca de 90% até 2030. O mesmo estudo calcula que os data centers representavam 0,003% do uso de água considerado no Brasil em 2022, com projeção de 0,008% para 2029.
Também existem projetos baseados em condensação a ar, que utilizam o ar externo para rejeitar o calor e podem alcançar WUE = 0, indicador utilizado para medir a eficiência hídrica de um data center, na operação dos ambientes críticos.
Portanto, a pergunta correta não é simplesmente “quanto um data center consome?”, mas “qual tecnologia foi adotada, como ela opera e quais indicadores de eficiência são acompanhados?”
Na Tecto, eficiência no uso de recursos faz parte da estratégia de desenvolvimento da infraestrutura. A companhia opera com energia 100% renovável e certificada pelo I-REC e mantém metas públicas de eficiência hídrica, incluindo WUE efetivo inferior a 0,15 até 2030. Além disso, a companhia vem construindo sua estratégia justamente a partir dessa perspectiva, combinando AI Factory e AI Grid em uma plataforma integrada de infraestrutura digital, com data centers, energia e conectividade preparados para diferentes demandas de processamento e baixa latência.
Mito 2: data centers apenas consomem energia
A operação dos data centers requer cargas elétricas para garantirem sua execução. E a inteligência artificial amplia essa demanda, uma vez que workloads de alta densidade exigem mais capacidade computacional, novos sistemas de refrigeração e fornecimento energético confiável. Por isso, disponibilidade, qualidade e previsibilidade de energia já estão entre os fatores determinantes para decidir onde a infraestrutura para IA poderá crescer.
É a energia que se transforma em capacidade computacional para treinamento e inferência de modelos, cloud, transações financeiras, aplicações empresariais, telecomunicações e serviços digitais. Sem energia disponível em escala, não existe expansão da infraestrutura de IA.
Mas existe outra dimensão que precisa entrar nessa conta: o valor econômico produzido a partir dessa infraestrutura.
Estudo da Fundação Getulio Vargas estima que um único data center de 100 MW voltado para IA pode adicionar, direta e indiretamente, cerca de R$ 1,5 bilhão ao PIB brasileiro e R$ 590 milhões em renda do trabalho. Durante sua implantação, um projeto desse porte pode mobilizar aproximadamente 12,5 mil empregos diretos e indiretos em setores que vão da construção civil e engenharia a instalações elétricas e serviços especializados.
Isso ajuda a mudar o ponto de partida da discussão. Não se trata de ignorar quanto de energia um data center utiliza, mas de compreender o que essa energia permite produzir e quais cadeias econômicas ela ajuda a ativar.
Esse raciocínio é particularmente relevante para o Brasil. O país reúne uma matriz elétrica majoritariamente renovável e condições que podem ajudá-lo a disputar investimentos globais em infraestrutura digital. Para a Tecto, transformar essa vantagem energética em capacidade de processamento é uma das oportunidades estratégicas para posicionar o Brasil como protagonista da economia da IA.
Na operação da companhia, 100% da energia elétrica consumida pelos data centers é proveniente de fontes renováveis e certificada pelo I-REC, com rastreabilidade reconhecida internacionalmente.
Energia, nesse contexto, passa a definir onde a inteligência artificial poderá ganhar escala.
Mito 3: um data center é apenas um prédio cheio de servidores
Os servidores são a parte mais visível da computação, mas representam apenas um dos componentes de um data center.
Para que aplicações permaneçam disponíveis continuamente, existe uma infraestrutura crítica formada por sistemas de fornecimento e distribuição de energia, refrigeração, redundância, engenharia elétrica e mecânica, segurança operacional e equipes especializadas. São essas camadas trabalhando de forma integrada que tornam possível manter ambientes digitais funcionando continuamente.
Conectividade é outra parte fundamental dessa equação.
A capacidade computacional precisa estar conectada aos usuários, empresas, redes de telecomunicações e outros centros de processamento. Dependendo da aplicação, distância, latência, redundância de rotas e proximidade dos pontos de interconexão podem ser tão importantes quanto a própria capacidade instalada.
Para aplicações de IA baseadas em inferência, por exemplo, reduzir a distância entre processamento e usuário significa diminuir latência e melhorar a experiência. É por isso que uma infraestrutura distribuída não deve ser entendida como um conjunto de data centers isolados, mas como uma plataforma hiperconectada.
Essa visão está no centro da nossa estratégia: na Tecto Data Centers, combinamos AI Factory e AI Grid, conectando ambientes de grande escala para workloads intensivos de IA a uma infraestrutura distribuída capaz de aproximar capacidade computacional dos mercados consumidores.
É essa lógica de plataforma que diferencia o nosso posicionamento: data centers conectados entre si e aos principais fluxos nacionais e internacionais de dados, formando uma infraestrutura preparada para escalar junto com a demanda por IA.
Fortaleza, por exemplo, materializa bem essa visão. A cidade concentra a maior densidade de cabos submarinos do Brasil e está entre os principais hubs de conectividade da América Latina. A Tecto mantém três data centers operacionais na região, integrados aos principais pontos de interconexão e com acesso a provedores globais, operadoras, IX.br, além de uma conexão direta ao cabo submarino que chega ao TFOR1, data center que atua como CLS (Cable Landing Station) da companhia.
Isso coloca Fortaleza em uma posição que vai além de hospedar data centers: a cidade pode funcionar como uma das portas de entrada e saída da infraestrutura digital brasileira para o mundo, fortalecendo o papel do país nos fluxos globais de dados e na nova economia da inteligência artificial.
Mais contexto, menos generalizações
Energia, água, licenciamento e impactos territoriais são preocupações legítimas. O setor precisa responder a elas com dados, eficiência operacional, inovação e transparência.
Mas nenhum desses temas pode ser compreendido a partir de generalizações.
Um data center projetado com tecnologias atuais de refrigeração, energia renovável, conectividade robusta e altos padrões de eficiência apresenta um perfil muito diferente de instalações construídas sob outras condições técnicas e energéticas.
Da mesma forma, avaliar apenas o que essa infraestrutura consome, sem observar a capacidade computacional, o desenvolvimento econômico e a conectividade que ela viabiliza, produz uma visão incompleta de seu papel.
Na economia da inteligência artificial, data centers são parte da infraestrutura crítica que determina onde dados serão processados, aplicações poderão operar com baixa latência, inovação poderá ganhar escala e que determinam quais países terão condições de participar ativamente das novas cadeias de valor digitais.
É nesse cenário que a Tecto estrutura sua expansão: como uma plataforma de infraestrutura digital para a América Latina, integrando capacidade computacional, energia e conectividade para atender à nova escala de demanda trazida pela inteligência artificial.
E o Brasil tem ferramentas importantes para atender a esse cenário. Diferentes tipos de fontes de energia renovável, conectividade internacional, escala de mercado e hubs como Fortaleza criam uma oportunidade concreta para que o país não seja apenas um consumidor de tecnologia, mas também um dos territórios onde essa infraestrutura será construída e operada.
O desafio não é decidir se a economia digital crescerá. Ela já está crescendo. A questão passa a ser onde essa infraestrutura será instalada, quais regiões estarão preparadas para recebê-la e quais empresas conseguirão expandi-la com eficiência operacional, responsabilidade ambiental e conectividade global.
Prepare sua infraestrutura para a nova escala da economia digital. Conheça a plataforma de data centers da Tecto e descubra como podemos apoiar as demandas de conectividade, capacidade e expansão do seu negócio: https://tecto.com/contato/